É caso para dizer “Que grande lata!”
A notícia já não é nova, mas hoje voltou a surgir num qualquer pasquim e apeteceu-me escrever sobre o tema.
Supostamente, a partir de 10 de Abril de 2026, as bebidas em latas e garrafas não reutilizáveis vão pagar taxa de depósito na compra.
Será cobrado um valor adicional, que se prevê que seja de 10 cêntimos por embalagem. A medida aplica-se a embalagens de plástico e latas de alumínio até três litros de capacidade, como as de água, sumos e refrigerantes. A taxa é paga no momento da compra e é reembolsável quando a embalagem é devolvida em condições de ser reciclada (não danificada e com rótulo legível). Ou seja, se tirarem o rótulo a uma garrafa, para saberem que já não contem água engarrafada, mas sim água da torneira para regar uma plantinha, já perderam o direito ao reembolso.
Reza a cantilena dos abutres que os consumidores vão poder obter o reembolso em cerca de 2500 máquinas automáticas ou 8 mil pontos de recolha manual.
Estou mesmo a ver o filme. As máquinas vão avariar em menos de três tempos e o tuga vai mesmo para a fila para entregar lixo e receber uns tostões. Já não me bastava juntá-las em casa para as ir colocar à reciclagem, como faço há décadas, como agora ainda tinha de ir com o lixo às costas para receber vasilhame como se fazia no tempo do outro senhor. Voltamos ao tempo em que os indigentes andavam ao cartão. Agora vão começar a andar às latas e garrafas para fazer uns trocos para o cavalo. Vai ser uma festa a vê-los de cabeça enfiada nos ecopontos.
Ainda me lembro, quando no concelho de Oeiras se comprava no comércio local uns sacos específicos para a reciclagem que não eram de todo baratos e que às Quintas-feiras se colocavam junto aos contentores de lixo para serem levados para reciclar. Já nessa altura cumpria a minha parte.
No que me diz respeito e ao fim de mais de 30 anos, a separação de embalagens para a reciclagem termina aqui.
Lá diz o ditado popular. ‘Se não podes vencer, junta-te a eles’. Já que tenho de pagar pelos javardos que não colaboram, passo a comportar-me como um deles.
Sabem o que vou fazer?
Vou arranjar um caixote ainda maior do que que tenho para a reciclagem, vou juntando tudo bem juntinho no mesmo saco (cartão, plástico e vidro) e quando estiver bem cheio, vai tudo para o caixote do lixo geral e eles que separem com os dentes.
De caminho, lá vão os mamões do costume arrecadar mais uns milhões. Quando os porcos mamam, - os de cá e os de Bruxelas - o ambiente já não sofre...
…e eu deixo de estar à chuva a colocar lixo por buraquinhos e ranhuras.






















