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Pedro Nogueira Photography

Um blog para mostrar as minhas fotos e para escrever sobre tudo o que me vier à cabeça …assim haja tempo.

As Aventuras de Tintin... olha, está visto!

28
Out11

Ontem, não resisti e lá fui à sessão da meia-noite ver o filme do Tintin, apesar de a minha intenção inicial ser a de esperar pelo Blu-Ray para ver o filme com o áudio em francês. Pensei que fosse pior, mas continua a não me agradar, ouvir o Tintin a falar inglês.

Vou ter a presunção de dividir os hipotéticos espectadores em três grupos distintos e ser mais presunçoso ainda e tentar adivinhar o que cada um pensará do filme.

Em primeiro lugar, o grupo dos fãs incondicionais, que conhecem, desde sempre, Tintin e todas as suas aventuras, já decoradas de trás para a frente e de frente para trás, não deixando escapar nenhum detalhe. O mesmo se passando com todos os personagens, do herói ao pior vilão. Aqueles a quem basta ver um quadradinho de uma prancha para imediatamente identificar a aventura onde ele se encontra. Enfim, toda uma infindável panóplia de informação a que só um fã dá atenção e valor.

Em segundo lugar, o grupo daqueles que até já ouviram falar do Tintin, ainda se lembram de ter lido alguma coisa quando eram mais novos mas para quem o herói mais não é do que uma vaga memória de um personagem de BD ao qual nunca deram especial atenção.

Por último, aqueles que pensam que “O Caso Girassol” é algum problema de última hora com algum óleo alimentar ou que “O Voo 714 para Sidney” tem a ver com a queda do tecto no aeroporto de Faro.

Começando por este último grupo, acredito que venham a gostar do filme, sem reservas. Vão conhecer um “novo” herói, simpático e destemido, numa empolgante aventura ao estilo Indiana Jones, com acção do princípio ao fim, deixando já a porta aberta para a sequela, ou não se chamasse o realizador, Steven Spielberg. Um filme tecnicamente bem feito, recorrendo à mesma técnica utilizada em “Avatar” de James Cameron. Vão ainda, muito possivelmente, adquirir algum merchandise, julgando ser os primeiros a ter algo a respeito desta “novidade” mas que rapidamente cairá no esquecimento assim que aparecer a moda do mês seguinte que tanto poderá ser um novo Homem-Aranha como um Tarzan em cuecas.

Em relação ao segundo grupo, sinceramente, considero que seja onde surgirão as opiniões mais diversas. Uns, mais velhos, irão para tentar relembrar uma coisa que na realidade nunca conheceram muito bem mas também não é com este filme que ficarão esclarecidos. Outros, que até nem faziam intenções de ir mas como há sempre este ou aquele miúdo que, mesmo não conhecendo o herói, tem curiosidade e quer ver, os pais lá farão a vontade e acabarão, também eles, por revisitar o personagem. De qualquer das formas, duvido que seja um filme que traga os mais graúdos, deste grupo, de volta a Tintin, no que à BD diz respeito e também não acredito que desperte nos mais miúdos a vontade de conhecer as suas aventuras em papel. Será apenas mais um filme para a “colecção”.

Por fim, o primeiro grupo, onde eu me incluo. Gostei do pormenor adicionado, no início do filme, semelhante ao início d’ “O Segredo do Licorne” -mais para a frente, no filme, como explicarei, há demasiada mistura- de alguém que desenhava um retrato de Tintin, numa feira de velharias, afirmando que a sua cara não lhe era estranha. Depois de concluído o desenho, verifica-se que o desenhador, mais não é do que Hergé. Uma bonita e justa homenagem ao criador de Tintin. Era o mínimo que Spielberg poderia ter feito. Penso que quem conhece a fundo as Aventuras de Tintin, terá de reconhecer que foi feito um excelente trabalho em torno dos personagens e cenários onde se desenrola o filme. Tudo recriado com um detalhe excelente e até com algum valor acrescentado, começando isso, logo a notar-se desde o primeiro segundo do filme. O apartamento do nosso herói é um desses exemplos, mas nada foi deixado ao acaso. Adorei a recriação da narração do Capitão Haddock, a respeito do seu antepassado, o Cavaleiro de Hadoque, quando enfrenta Rackham o Terrível, a bordo do Licorne, numa brutal batalha naval. Bastante fiel ao livro mas mais uma vez contada em locais e alturas diferentes. O posto de Afghar, comandado pelo Tenente Delcourt e o navio Karaboudjan estão irrepreensíveis.

Como ponto mais negativo, quanto a mim, é o facto de Spielberg não se ter mantido mais fiel como deveria, inevitavelmente com a devida autorização da Moulinsart, que aqui crítico, às histórias originais. Há a tentativa de meter muita “bola” logo no primeiro “saco”. A aventura é uma mistura, entre outras coisas, d’ “O Segredo do Licorne” com “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” onde aparece também Bianca Castafiore, também ela excelentemente recriada, mas que na BD não aparece em nenhuma destas duas aventuras. Podemos ver também um Jeep Willys vermelho que automaticamente nos remete para a aventura “No País do Ouro Negro”. Isto apenas para citar alguns exemplos. A sensação que fica, é que Spielberg, não sendo um verdadeiro fã de Tintin, passou os olhos por cima de meia dúzia de livros, pegou no que mais lhe agradou, juntou outros tantos detalhes que nunca existiram, atou e pôs ao fumeiro. No cômputo geral, o resultado não é mau mais decerto não agradará aos mais puristas. Quanto a mim, borrou a pintura no mais fácil. Confesso que não me importava nada de ver todas as Aventuras do Tintin, no cinema, feitas desta forma, mas sem deturpar as histórias originais, saídas da “pena” de Hergé. A heresia do costume a que os americanos já nos habituaram quando mexem no que não deveriam mexer. Americanos esses, que vão finalmente ficar a “conhecer” Tintin, tenho é algumas dúvidas que este consiga lutar, sozinho ou com a ajuda do Capitão Haddock, contra os heróis da Marvel, mais ao gosto dos habitantes da terra do Uncle Sam.

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